terça-feira, 10 de abril de 2007

AS ORIGENS DA MAÇONARIA - Parte 4


DOS MISTÉRIOS À FRANCO-MAÇONARIA
Claudio Blanc

Ao contrário das origens da filosofia maçônica, que "se perdem na neblina do tempo, é possível determinar com precisão que a Franco-Maçonaria, ou Maçonaria Especulativa, reapareceu na Inglaterra no século 18. Dessa vez, surgiu com a Grande Loja da Inglaterra, em 1717, reunindo suas antigas cartas em uma constituição conhecida como a "Constituição de Anderson".

A Franco-Maçonaria buscava conservar a antiga tradição dos tempos bíblicos ao mesmo tempo em que procurava aperfeiçoar, através de ritos de iniciação, o desenvolvimento de cada membro. A passagem pelos três graus - Aprendiz, Companheiro e Mestre - exigia o conhecimento de palavras secretas, toques e sinais. Os símbolos eram cultivados com profunda reverência.

O passo seguinte na evolução da Maçonaria foi começar a admitir em seus quadros não só artesãos, mas "homens de espírito iluminado e plenos de intelectualidade". Num primeiro momento, a fraternidade foi próxima da Igreja. Até 1694, era católica e fiel ao Papa. Nos estatutos, havia a obrigação de o maçom ser "fiel a Deus e à Santa Igreja". No entanto, aos poucos, o movimento se desligava do clero, não aceitando o Cristianismo proposto pelo Catolicismo.

Ao mesmo tempo em que afastava da Igreja, a Maçonaria inclinava-se para o campo especulativo, abandonando o operativo. Isto equivale dizer que a filosofia maçônica, a essência do movimento, passou a ser mais importante do que o papel que ela exercia como guilda de construtores detentores do conhecimento arquitetônico.

Assim reformulada, a Ordem acabou sendo um fator vital para divulgação e o estabelecimento da nova ordem mundial política e cultural preconizada pelos cientistas e filósofos iluministas. Não é nenhum exagero dizer que a Maçonaria foi uma das forças mais atuantes na configuração do mundo moderno.

Publicado originalmente na revista Vida & Religião Especial Maçonaria nº 1, edição de março de 2007.