quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Zoroastro

Ir.: Manoel Augusto Guedes da Silva
(Loja Septem Frateris 95)

Nascido na Pérsia, hoje Irã, por volta de 660 a.C. e que alguns autores referem-se ao seu nascimento por volta de 1000 a.C., aliás, acredita-se que toda a dúvida que se tem em torno do nome dele provém das poucas informações concretas e literatura existente sobre o tema.

Muito citado nos rituais maçônicos, que nada falam da sua origem, sua história e seus feitos, se limitando apenas a citar "os mistérios de Zaratustra". Morreu aos setenta e sete anos, tendo sido assassinado por um homem, quando ele orava no seu templo sagrado.

Descendente de indo-europeus, os seus pais tinham como religião um culto a deuses que representavam as forças naturais. Zaratustra ou Zoroastro criou uma doutrina que ficou conhecido como zoroastrismo ou zoroastrianismo. Esta doutrina surgiu como uma religião de pastores e lavradores que cultuavam a adoração ao bem-estar da sociedade. Era monoteísta e profética, pois acreditava que Deus se revelava através de profetas (por exemplo: Messias, Jesus Cristo, etc.).

Faziam oferendas com grãos e não havia sacrifício de animais, muito pelo contrário, tinham os cães como animais do bem, pois estes protegiam os homens, e os lobos, que atacavam outros animais, como animais demoníacos.

Apesar de monoteísta ele pregava a luta entre a luz e as trevas, o que de certa forma fazia do seu culto uma dualidade. Ele tinha crença no Angra Mainu, que seria a grosso modo um Deus do mal e Aura Mazda que seria um Deus do bem, daí deve ter surgido a religião masdeísta mantida na Índia.

Nos templos dedicados ao zoroastrismo eram colocados fogos sagrados (nos dias de hoje os templos dedicados à sua doutrina ainda contêm o fogo sagrado – dizem ter cem mil seguidores na Índia e dez mil no Irã) e, por essa razão, ele também era conhecido como adorador do fogo.

Durante boa parte de sua vida, dizem que ele se isolou durante sete anos numa caverna por volta dos seus vinte aos trinta anos de idade. Teve muita dificuldade de convencer adeptos para caminhar na sua empreitada.

Somente com a aceitação da sua doutrina pelo Rei Vishtapa que se agregou aos conceitos de Zaratustra é que os fiéis começaram a aceitá-la com grande fluência, vindo a tornar-se a religião da Pérsia, inclusive na dinastia dos Sassanianos, entre 200 e 600 d.C.

Zoroastro deixou, segundo a pouca literatura, uma escrita de ensinamentos baseados na família, trabalho, bem-estar social, na verdade, na palavra como prova de cumprimento, nas suas pesquisas científicas, na crença num ser superior e algumas parábolas, metáforas, ensinamentos ou como se queira chamar, e ficaria de exemplo aquela que traz mais uma vez a sua dualidade, a ação e a reação: "Age com o seu semelhante da mesma forma com que gostarias que agissem com você". Estas escrituras ficaram conhecidas como o Avesta.

Fica aos irmãos o questionamento se o fogo sagrado utilizado naqueles ensinamentos tem relação com os nossos mistérios e com as queimas de corpos feitas até hoje pelo povo da Índia.

Publicado originalmente no Informativo Bourguinhon nº 25, edição de fevereiro de 2007.