segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Virtudes Teologais e Virtudes Cardeais

O presente trabalho buscará, nos limites e nas limitações, tanto do meu grau, quanto da minha capacidade intelectual, caracterizar as virtudes teologais e cardeais, diferenciando-as e relacionando-as ao Painel Alegórico da Loja de Aprendiz e ao objetivo maior do Maçom que é desbastar a Pedra Bruta do seu Ser interior e subir na Escada de Jacó

Os filósofos anteriores ao cristianismo falavam de virtude perfeita para qualificar a maneira nobre e acabada do ser humano. Algumas correntes do pensamento religioso falam de virtudes sobrenaturais que Deus comunica graciosamente ao ser humano e que, quando são vividas em plenitude, conformariam a santidade. A virtude, portanto, é uma qualidade boa, que aperfeiçoa de modo habitual as potências, inclinando a criatura a fazer o bem. Ou seja, se os hábitos operativos do ser são bons, são chamados virtudes; se maus, vícios.

Nesse ponto, cabe uma lembrança do nosso ritual : “Que se faz em vossa loja? Levantam-se templos à virtude e cavam-se masmorras ao vício." Enquanto a virtude liberta, o vício escraviza, pois ele é a mais clara mostra da subjugação da nossa vontade a um desejo. Não um desejo qualquer, mas um que se repete, se repete, e acaba por nos dominar.

As virtudes cardeais são a prudência, a justiça, a coragem e a temperança que estão simbolizadas nas quatro borlas localizadas no pavimento mosaico dos templos maçônicos. A prudência é a virtude de que dispõe a razão prática para discernir nosso verdadeiro bem, escolhendo os meios lícitos para realizá-lo. Novamente cabe lembrar o nosso ritual: "Ides deixar o templo [...] não vos esqueçais [...] sedes [...] moderados ... prudentes."

A justiça é a virtude que nos inclina a dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A coragem é a virtude que no meio das dificuldades assegura a firmeza e a constância para praticar o bem. A temperança é a virtude que refreia a apetite dos prazeres e impõe a moderação (“sedes moderados”).

No painel alegórico da loja de Aprendiz vemos, com todo o seu simbolismo, a Escada de Jacó, apoiada no Livro da Lei, seja ele qual for, a Bíblia, o Alcorão , a Gita, não importa. O Grande Arquiteto do Universo fala muitas línguas; para nós, cristãos, em maioria, está a Bíblia Sagrada como roteiro e caminho para podermos, apoiados em suas máximas, subirmos os degraus até a união com a virtude suprema.

É preciso refletir sobre o hábito que devemos cultivar de mergulhar a nossa mente e o nosso coração na escritura sagrada e de lá retirar muitos ensinamentos sobre a fé, a esperança e a caridade.

FÉ: "... o barco, porém, já estava a uma distância de muitos estádios , agitado pelas ondas ... tendes confiança, sou eu , não tenhais medo. Se és tu , manda que eu vá ao teu encontro sobre as águas. Vem. ... Pedro caminhou... mas sentindo o vento, ficou com medo e afundando gritou, senhor, salva-me! ... Homem de pouca fé, por que duvidaste?" ( Matheus 14/15).

" ... Senhor, não sou digno de que entres em minha casa, nem mesmo me achei digno de ir ao seu encontro. Dize uma palavra, ...que o meu servo será curado. ...Eu porém vos digo que nem em Israel encontrei tamanha fé." ( Lucas 7 ).

ESPERANÇA - Virtude pela qual confiamos em Deus.
"O Senhor é meu pastor, nada me falta... ele me guia por caminhos justos , por causa do teu nome. Ainda que eu caminhe pelo vale tenebroso nenhum mal temerei, pois estás junto a mim... (Salmo 23)

CARIDADE - Segundo S. Paulo, a caridade é o "vínculo de perfeição". "Agora , portanto, permanecem a fé , a esperança e a caridade, dessas três coisas, a maior delas, porém, é a caridade." (I Coríntios, 13).

Assim, se queremos "desbastar as asperezas do nosso Eu", como a ambição , o orgulho, o egoísmo e demais paixões e seguirmos firmes, degrau por degrau, na Escada de Jacó, precisamos beber nas fontes da Fé, sem dúvidas, sem receios, numa total entrega ao Grande Arquiteto do Universo que a tudo governa e preside; da Esperança, de superarmos os nossos limites sempre ancorados naquele que nos criou e que nos ampara; da Caridade, que é o amor em ação - " forma de todas as virtudes". Enfim, quando, no final da jornada, tivermos transformado a Pedra Bruta em Polida, decididamente aferida pelo Compasso da consciência e pelo Esquadro da palavra divina, poderemos afirmar que a nossa passagem por esse planeta não foi em vão.


Trabalho de autoria do Ir.: Luiz Henrique Klin, da Aug.:Resp.:Fiel e Gr.:Ben.:Loj.:Maç.:De Molay 38 nº 81