quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

A RÉGUA DE 24 POLEGADAS - 1ª parte

Ir.: Francisco Carlos de Paula

Um dos grandes mistérios inerentes ao homem é a manifestação dos universos macro e micro cósmicos. O microcosmo humano é a expressão do macrocosmo universal, regido pela perfeição do Absoluto através das leis, regras e medidas. Daí a razão de existir no homem a medida de todas as coisas, cabendo a ele mergulhar em seu interior e descobri-la gradativamente de forma a construir seu templo sagrado, alicerçando-o na ética, moral, justiça e solidariedade. Em outras palavras, a mente universal, cósmica, é refletida pela mente humana, limitada, como o céu é refletido pelas águas de um lago, porém a imagem refletida terá a nitidez que a mansidão das águas permitir e a dimensão proporcional à distância de suas margens.

Como símbolo do aperfeiçoamento e instrumento da construção de um novo ser pode ser associada a idéia de regra (existente nas ordens religiosas de Santo Agostinho, de Santa Teresa de Ávila, de São Francisco de Assis, de São Bento, de São Domingos etc.), uma vez que é necessária na consecução do projeto de edificação do Eu espiritual. Significa ainda o meio de assegurar o cumprimento das normas do comportamento humano, sem as quais não pode haver ordem. Estas normas constituem o equilíbrio de todas as ações, assim, elas consubstanciam uma medida que pode ser avaliada pelos módulos da Régua. Sendo um instrumento de medição, dirige e equilibra as funções ativas do malho (comparável à capacidade psicológica de experimentar a paixão) e as funções passivas do cinzel (recebe os golpes do malho, dirigindo-os numa direção concreta – ação comparada ao poder de análise, o pensamento racional).

Tal qual as retas, a régua é vista como símbolo do infinito e por ser o instrumento para traçá-las deve servir como utensílio de meditação ao indivíduo que pauta sua vida na retidão (pensar reto, sentir reto, falar reto, agir reto) de forma a executar com perfeição seus afazeres, tomar decisões acertadas e agir com justiça e prudência.

Esta retidão obediente às regras que delineiam o processo construtivo de um novo ser é atributo indispensável ao aperfeiçoamento da forma. O caminho traçado pela régua irá determinar onde atuarão o cinzel e o malho neste processo de lapidação. O homem tem de traçar na Pedra Bruta, retas que a tornem Cúbica. É a Lei. O processo é gradativo e a transformação obedece a um ritmo silencioso, dando à pedra informe um peso, uma forma, uma medida. (continua)

Publicado originalmente no site http://www.lojademolay.rg3.net