Ir.: Marco Antonio LenzPara receber as instruções a respeito do Tabernáculo, Moisés permaneceu no Monte Sinai quarenta dias e quarenta noites, recebendo de Jeová o modelo do Tabernáculo, todos os detalhes sobre o culto ao Senhor, bem como a descrição de todos os móveis e demais objetos que deveriam ser confeccionados pelos obreiros de Israel para ornamentação do Templo, segundo o modelo mostrado a Moisés, pelo Senhor.
Moisés então falou aos filhos do Senhor que deveriam trazer suas ofertas para a construção do Tabernáculo. Metais como ouro, prata e bronze que são duráveis, resistentes ao tempo, incorruptíveis. Madeira de acácia, também muito resistente, talvez possamos compará-la com o nosso pau-ferro. Peles de animais para estofo, várias espécies de tecidos, tais como linho e pêlos de cabra. Pedras preciosas, ônix e outras, azeite para o candeeiro e aromas para o incenso e para o óleo de unção dos sacerdotes, reis e profetas.
De posse destas ofertas os obreiros do povo de Israel começaram a construção do Tabernáculo e a confecção dos utensílios. No Egito tinham aprendido as ciências e as artes, comuns a todos. Além disso, Deus deu a sabedoria necessária para que pudessem executar a obra com perfeição.
O Tabernáculo media cem côvados de extensão por cinqüenta côvados de largura (dois côvados correspondiam a aproximadamente um metro) e dividia-se em três partes, segundo os cerimoniais ensinados por Deus, que procurava educar o povo para as grandes verdades eternas. Portanto cada parte do Tabernáculo correspondia ao ideal delineado pelo Senhor:
a - LUGAR SANTÍSSIMO, media aproximadamente dez côvados de largura por dez côvados de comprimento, neste lugar ninguém penetrava, apenas o Sumo Sacerdote uma vez por ano, no Dia da Expiação nacional. E lá estavam a Arca do Testemunho que guardava as “Tábuas da Lei”, a vara de Arão e o vaso com maná; e o Propiciatório que era a tampa da arca, o lugar da morada de Jeová entre o povo. Ali era feita a expiação da nação uma vez por ano. Existia, ainda um véu de grande espessura, separando o Lugar Santíssimo do Lugar Santo, para que o sacerdote não olhasse para dentro do Lugar Santíssimo e morresse. Este véu se rasgou de alto a baixo quando Jesus morreu.
b - LUGAR SANTO, era retangular e media aproximadamente 10 côvados de largura por 20 côvados de comprimento e era o lugar da habitação dos sacerdotes durante o ofício. Ali acontecia a maior parte do ritual e a vida religiosa se manifestava diariamente. Este local era composto de vários móveis, a saber: a mesa dos pães da proposição ficava do lado norte e continha doze pães de cevada, que representavam as doze Tribos de Israel. Cada sábado o sacerdote trocava os pães, comendo os que eram retirados; O candelabro de ouro ficava do lado sul, tinha sete hastes e deveria ser aceso todas as tardes. Era a luz divina entre o povo e era mantido aceso com azeite puro de oliveira. O altar do incenso ficava no meio do Lugar Santo, era um dos móveis mais ricos e importantes. Nele era queimado incenso à tarde, enquanto o povo orava a Deus e também pela manhã. A nuvem de incenso simbolizava as orações do povo elevadas à Jeová.
c - O ÁTRIO era a parte mais comum do Tabernáculo, onde o povo podia entrar, as cortinas eram bem grossas e não permitiam que o povo visse o interior do Lugar Santo. No Átrio estavam: o Altar dos Holocaustos, todo feito de madeira de acácia coberto com folhas de bronze, medindo aproximadamente 2,5 metros de cada lado, o que permitia a queima de um novilho para sacrifício. O altar possuía um chifre em cada canto, que eram aspergidos com o sangue dos animais ali sacrificados, e que posteriormente eram queimados e suas cinzas levadas para fora do arraial. Jesus, na cruz, ofereceu-se em sacrifício pelo pecado dos homens. O Lavatório ou Pia de Bronze estava bem na entrada, entre o Lugar Santo e o Altar dos Holocaustos. Era ali que os sacerdotes lavavam as mãos e os pés, ou tomavam abluções. O Senhor era Santo e os sacerdotes imundos, e só podiam aparecer diante de Deus cerimonialmente puros.
É importante relembrar que todos estes móveis e utensílios, e respectivos modelos foram mostrados a Moisés, por Deus, no Monte, em forma material, e nada poderia ser modificado, porque cada peça corresponderia a um fim contemplado por Deus no plano eterno da redenção. (continua)
Publicado originalmente no Bourguinhon nº 13, edição de julho de 2004.