Claudio Blanc
Os historiadores maçônicos concordam que houve uma transmissão direta dos ritos e das práticas dos construtores do Templo do Senhor em Jerusalém até os dias de hoje. Com o tempo, as fraternidades de maçons judeus passaram conhecimentos para as corporações bizantinas. De lá, esse saber se espalhou para as guildas, ou confrarias, de construtores romanos.
Segundo Andrew Sinclair, “esses símbolos e as regras do ofício foram à misteriosa Magistri Comacini, uma guilda de arquitetos que viviam numa ilha fortificada”. Acredita-se que tenham sido eles que ensinaram os segredos da geometria sagrada e dos métodos de construção para os italianos de Ravena e Veneza e, por meio deles, as guildas das artes e do comércio da Idade Média. Os lugares de encontro dos Comacini eram chamados loggia, palavra da qual se supõe que “loja” deriva.
A Maçonaria da Idade Média, chamada de “Operativa” continuou após a queda de Roma. Novas guildas de construtores surgiram patrocinadas pelo clero cristão. Sinclair sustenta que os maçons operativos se congregaram de forma organizada pela primeira vez no século 12, na construção da Catedral de Chartres. Mas eles já estavam ativos havia bem mais tempo. As primeiras construções de abadias na Inglaterra, sob Santo Albano e o rei Athelstan (século 10), iniciaram a tradição de guildas maçônicas inglesas. Athlestan é tido como o mentor de uma assembléia de pedreiros em York, ocasião em que lhes outorgou uma Carta Régia regulamentando seu ofício. (continua)
Publicado originalmente na revista Vida & Religião Especial Maçonaria nº 1, edição de março de 2007.