Claudio Blanc
A geometria empregada nas grandes construções veio a ser a “ciência das ciências” para os maçons, um meio pelo qual compreendem ou conhecem o Universo – a obra do Grande Arquiteto. O Livro dos Mortos do Antigo Egito traz sinais maçônicos evidentes. As pinturas murais das diversas pirâmides, os hieróglifos, todos contêm sinais claramente maçônicos. E elementos dos templos egípcios, como as colunas e as decorações, estão presentes nas atuais lojas maçônicas.
Mas, apesar de ter sido no Egito que os primeiros “pedreiros-livres” aplicaram e preservaram os princípios da Religião dos Mistérios, o marco inicial da Maçonaria é, sem dúvida, a construção do Templo de Salomão. Segundo o escritor e documentarista escocês Andrew Sinclair, “alguns historiadores acreditavam que o Templo de Salomão foi construído por pedreiros (isto é, masons) que tinham familiaridade com os mistérios gregos, bem como com a geometria divina ensinada pelo deus Hermes”.
Essa afirmação é confirmada por um importante documento maçônico, o Manuscrito de Halliwell. De acordo com o texto, hoje em posse da Biblioteca do Museu Britânico, sabe-se “de modo claro e sucinto como começou essa importante arte”. Isso aconteceu com a descoberta do “princípio de todas as ciências pelos filhos de Lamec: Jabal e Tubalcain”. O último descobriu a arte de forjar, e o primeiro, o mais velho, a geometria. “Muito tempo depois”, prossegue o Manuscrito de Halliwell, “o rei David empreendeu a construção de um templo que chamou o ‘Templo do Senhor’, em Jerusalém”. Davi proclamou a si mesmo patrono dos pedreiros (maçons), instituiu normas e regulamentos entre eles e lhes deu controle sobre essas regras, mas morreu antes de ver a obra concluída. Foi “Salomão, seu filho, que terminou o templo”. (continua)
Publicado originalmente na revista Vida & Religião Especial Maçonaria nº 1, edição de março de 2007.