Enquanto as igrejas do ocidente se dividiam em discórdia, resultaram interpretações diversas sobre o dogma de Deus, sobre a natureza de Cristo, e não houve outra saída para evitar as controvérsias do livre exame, senão imobilizar todas as doutrinas por um ato de fé. Assim, as formas filosóficas da primeira Iniciação se conservaram na Síria como um benefício rendido à liberdade do espírito. E a exemplo do Grande Mestre vivido naquela terra, pregaram a tolerância e o amor para seus irmãos. E deste modo os Cavaleiros Cruzados receberam dentro da forma de Iniciação os ensinamentos do Cristianismo primitivo, tal como havia praticado Jesus.
O poder da corte de Roma impunha aos Templários a obrigação de conservar seus Ritos em segredo, porém, não havia mistérios que a zelosa Roma não podia se aprofundar. Seus zelos foram grandes quando ela viu a Ordem do Templo, rica e poderosa, aumentar cada dia o número de seus adeptos e os meios de sua ação. Nesta época, Clemente V, o papa que fora eleito pelo próprio rei Felipe, tratou então de destruir a Ordem. Entretanto, a Ordem era soberana e não se inclinava ante nenhum poder monárquico ou eclesiástico. Esta independência foi a causa do mais estranho ódio contra ela.
Nos anos de 1296, o rei Felipe achava-se em situação inquietante por falta de dinheiro e somente os Templários acederam em emprestar-lhe grandes somas, mas o rei foi pouco escrupuloso para reembolsá-las, sendo esta a causa pela qual se interessou em desaparecer com a famosa Ordem.
Em 1298 morre o Venerável Monge Gaudini e um voto unânime dos Templários leva à chefia como Grande Mestre, Jacques De Molay, que se preparava para recuperar os lugares perdidos pelos Irmãos de Cavalaria, quando o Papa Clemente V, o chamou à França para combinar sobre a reunião das Ordens Templárias e Hospitalaria, a qual não teve êxito. Os Templários seguiram o Grande Mestre e se dispersaram entre as numerosas divisões que possuía a Ordem em todos os países. O “crime” da Ordem está, sobretudo, na sua independência, pois nos seus regulamentos não reconheciam outro superior, senão Deus. (continua)
Trabalho apresentado na Augusta e Respeitável Loja Simbólica De Molay 38 nº 81 em 5 de julho de 1985.
