Em 19 de março de 1314, no átrio da Igreja de Notre Dame de Paris o Grande Mestre dos Templários apareceu sobre um estrado, depois de ter rejeitado a liberdade que lhe foi oferecida, em troca de certas revelações. Preferiu a morte, com sua consciência justa e pura, rechaçando as ofertas com desdém, a aceitar a venda de seu espírito. Naquela noite, protestando sua inocência e a da Ordem, Jacques De Molay morreu nas chamas, mostrando uma energia e uma resignação dignas de sua virtude.
Quando ia ser amarrado ao poste com as mãos atadas às costas para ir à fogueira, disse: “Ao menos, deixem-me juntar um pouco as mãos, se já é o momento. Vou morrer agora e Deus sabe que é uma injustiça, mas com a convicção de que esta morte será vingada. Que pelo menos, virem meu rosto para Jesus Cristo, já que fui seu fiel servidor”.
E quando um dos inquisidores encarregado dos responsos aproximou-se de crucifixo em punho e o concita a arrepender-se dos crimes perpetrados contra a religião, o mártir respondeu: “Guardai vossas orações para o papa, que este sim, precisará delas”.
Ainda antes de morrer, Jacques De Molay fez uma predição colocando o papa e o rei diante do Tribunal Divino, dizendo: “Próximo está o final de vossas vidas; e o Papa Clemente morrerá dentro de 40 dias, e o rei Felipe, antes de um ano. Haveis de comparecer ante ao Tribunal de Deus”. Profecia que se cumpriu exatamente.
Nas palavras de Vitor Hugo, De Molay representa não apenas o mártir, o símbolo vivo do predestinado na luta contra o obscurantismo, senão também o cavaleiro da justiça e do direito, o humanista profundo a lutar contra uma época caracterizada essencialmente pelo poder pessoal e absolutista, falha das mais elementares do direito e da justiça.
A Ordem dos Templários quase obteve êxito e triunfo completo, mas Felipe, rei da França, esforçou-se por todos os meios para arrancar dos Templários seus segredos e chegou até a prometer ao Grande Mestre Jacques De Molay, a liberdade, se resolvesse trair aos seus ... Simples e reto, de espírito superior, rechaça as múltiplas ofertas tentadoras e suporta com integridade, todas as torturas físicas e morais. Ele compreendia que o seu sacrifício daria vida ao objetivo a que se propunha e, sem cessar de defender sua Ordem, aceita o martírio e morre na fogueira.
Morreu protestando a inocência do Templo, remetendo à Justiça Divina, a esperança de que a fé seria reconhecida e restaurada algum dia. O martírio dos Templários não foi em vão, pois permitiu aos espíritos francos e leais poderem manifestar-se de novo, neste mundo, para que a Verdade seja dita e recebida com aprovação.
Trabalho apresentado na Augusta e Respeitável Loja Simbólica De Molay 38 nº 81 em 5 de julho de 1985.
