sexta-feira, 30 de março de 2007

O LIVRO DA LEI E O GRAU DE APRENDIZ

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A palavra “bíblia” deriva do grego e significa o conjunto de livros, os quais constituem o Antigo e o Novo Testamento. Diz-se que no texto da Bíblia não aparece uma só vez a palavra, que é substituída pelo vocábulo “Escrituras”, ou mais precisamente, “Escrituras Sagradas”, significando a “palavra ou vontade de Deus” dada ao homem com o fim de impor-lhe leis morais e religiosas para a sua salvação. Segundo opiniões abalizadas, os livros do Antigo Testamento foram escritos em idioma hebreu e os do Novo Testamento, em grego.

Na Maçonaria, a Bíblia integra os ornamentos de uma Loja, sendo considerada uma das Grandes Luzes da Ordem, que, juntamente com o Esquadro e o Compasso, constituem as três Grandes Luzes, e é denominada “Livro da Lei”, ou seja, o símbolo da vontade suprema, que impõe as crenças espirituais estabelecidas pelas religiões e não se traduz somente pelo Velho e Novo Testamento, mas de acordo com a filosofia religiosa de um povo.

É sábia a idéia de impor-se o uso de um Livro da Lei, uma vez que a crença e a fé no Grande Arquiteto do Universo, assim como na imortalidade da Alma, fundamentam a base da Instituição. A parte bíblica relacionada ao Aprendiz denomina-se Salmos e pertence aos dois Livros Poéticos, também chamados Sapienciais: Sabedoria e Eclesiástico.

Segundo Tomaz Paula Leite em “Comentando a Bíblia”, os Livros Sapienciais encerram conceitos filosóficos ou conselhos práticos de grande sensatez. Especificamente a respeito dos Salmos diz o autor citado: “Originariamente eram textos de oração, destinados ao uso litúrgico. Seu número foi sendo aumentado com o tempo. A compilação definitiva encerra 150 Salmos, divididos em 5 livros. Não se conhece o autor desta coleção. As inscrições do texto hebraico atribuem 74 Salmos a Davi, 2 a Salomão, 1 a Moisés e os restantes a outros autores”.

Acrescenta o autor: “Sabedoria é um louvor à Sabedoria de Deus. O autor se apresenta na pessoa de Salomão. É certamente uma ficção literária. Desconhece-se quem escreveu esse livro, que é colocado no primeiro século a.C.. Eclesiástico em grego é chamado Sabedoria de Jesus, filho de Sirac. É um compêndio de ética. O autor bem pode ser o nome do título grego. O texto original se perdeu: resta a tradução grega. O livro deve ser do fim do III a. C.”.

A Maçonaria regular obriga o uso, no Altar dos Juramentos, de um Livro da Lei que corresponda a vontade religiosa dominante de um povo, ou até de vários livros em conjunto, se na Loja existirem Irmãos de religiões diversas. Onde a incidência maior for de católicos romanos, usa-se a Vulgata Latina; se for de judeus, o Velho Testamento; se for de muçulmanos, o Corão; se for de brahamanes, os Vedas etc; porém, maçonicamente, estes livros representam o mesmo simbolismo e são considerados como o texto da lei que rege as consciências.

O Livro da Lei é considerado parte integrante dos utensílios Maçônicos, indispensável à validade dos trabalhos de uma Loja. Segundo pesquisas, a partir da fundação da Grande Loja da Inglaterra em 1717, é que se estabeleceu o uso da Bíblia em Loja, como emblema espiritual da Grande Luz da Verdade Divina e da regularidade maçônica, sem, entretanto, a necessidade de ser aberta. (continua)

Esta Peça de Arquitetura foi elaborada em 22.04.1964, em companhia do saudoso Respeitável Irmão Samuel Herbert Jones, P. M., e hoje, depois de ampliada e revisada, reeditamos em sua homenagem. Do livro “UMA LOJA SIMBÓLICA”, Irmão Walnyr Goulart Jacows, Or.: de Porto Alegre.