Ir.: José Dias de OliveiraQuem sou eu na vida que venho vivendo? Quem sou eu no meu dia-a-dia e em meu trabalho? Quem é esse ser que habita em mim? Quem sou eu e como o que eu sou influencia as pessoas e os resultados que venho alcançando? Quantas vezes nos fazemos perguntas sem encontrar respostas ou quando as encontramos, temos dúvidas se são ou não as respostas que procuramos...
O que temos como saída? O autoconhecimento. Descobrir-nos, em todos os aspectos, é um processo e nossa única alternativa para encontrar a harmonia e o equilíbrio. Não são os outros e muito menos os acontecimentos externos que nos dão as respostas que buscamos. Para termos clara e nítida a direção a seguir, é necessário percebermos as sensações que vêm de dentro e escutarmos nossa própria voz. Muitas vezes uma voz rouca ou baixa, quase inaudível. Parece que ela mesma já reconhece a dificuldade de ser ouvida e levada a sério. A não ser quando grita ou quando nosso corpo adoece e mostra num só impacto a necessidade de pararmos, compreendermos, reorganizarmos. E reaparece a pergunta: quem somos nós afinal?
Os meios para facilitar o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal são muitos. Desde inúmeras abordagens terapêuticas, caminhos filosóficos e espirituais, trabalhos com o corpo, até a auto-observação sem julgamento. Mas quanto tempo dedicamos a isso? A maioria das pessoas, nenhum. Normalmente deixamos "nós mesmos" fora de prioridade.
Em vista de tudo que foi dito acima, podemos dizer que nós, Maçons, somos felizes, pois dentre esses meios que podem facilitar o nosso autoconhecimento, podemos colocar a nossa querida e sublime Ordem, pois logo que ingressamos ela nos propõe três questões: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? E a primeira questão (quem sou eu?) nossos Mestres nos propõe desvendá-la logo no grau de Aprendiz, nos mostrando que a Ordem nos dá todas as condições, mas que somos nós, unicamente nós, que devemos prescrutar o nosso interior. Assim, nossa Ordem em sua infinita sabedoria coloca ao nosso dispor os ensinamentos e os instrumentos necessários para que consigamos o nosso intuito.
Passamos, então, a usar a régua de 24 polegadas, representando a retidão; o maço representando a força e a vontade; e o cinzel representando a sabedoria - os quais, aplicados em nosso interior com amor, vão nos revelar as belezas incontáveis até então contidas em estado latente, e que delas nunca fazemos uso, por desleixo ou desconhecimento, e que nos levarão fatalmente ao nosso tão desejado autoconhecimento.
Vamos finalizar com as palavras de Omar Ali Shah que nos diz: "Estou lhes dizendo que o homem é capaz de um desenvolvimento que sua imaginação não consegue compreender. Ele pode desenvolver as suas habilidades, desenvolver o seu ser a um grau em que talvez no paraíso deixa de ser muito importante.
Publicado originalmente no Informativo De Molay n.° 3, edição de agosto de 2003.