domingo, 3 de junho de 2007

MISTÉRIOS DO BODE - Parte 3

Colaboração Ir.: Altivo Tavares de Souza Filho

Com certeza, o mesmo fanatismo religioso medieval que levou à fogueira Jacques De Molay e outros dirigentes templários, sob pretexto da prática de bruxaria associada ao ídolo hermético caprípede Baphomet (símbolo da iniciação), pode ser responsabilizado também de tentar impingir nódoa similar a maligno, demoníaco e, conseqüentemente, à feitiçaria.

Os tempos, porém, eram outros, e a Maçonaria, sucessora simbólica dos Templários, soube resistir com galhardia à investida, e, com sabedoria adotou informalmente o símbolo do bode com que se tentava macular-lhe a imagem, transformando-o em uma positiva alegoria iniciática paralela. Senão, vejamos:

1) Temos costume de dizer ao candidato que na iniciação, ele irá "montar o bode", ao invés de "iniciar-se nos augustos mistérios da Maçonaria" - ora, a interpretação da assertiva só pode ser do predomínio do ser superior hominal (candidato) sobre o ser superior animal (bode), ou seja, do espírito sobre a matéria.

2) Por outro lado, o bom conceito de nossa Sublime Instituição e de seus membros encontra-se hoje tão cristalizado no mundo inteiro que os Maçons se dão ao luxo de brincar com o vulgo pejorativo que lhe lançaram seus detratores auto-intitulando-se ludicamente bodes.

Como o Irmão já percebeu, os mistérios que cercam o bode ainda não foram esgotados. Alguns aspectos interessantes sobre a origem desse símbolo paralelo, cuja informalidade não o impediu de sobreviver forte como a lenda oral da Ordem e como folclore profano-iniciático.

Publicado originalmente no Informativo De Molay n.º 3, edição de agosto de 2003.