sexta-feira, 1 de junho de 2007

MISTÉRIOS DO BODE - Parte 2

Colaboração: Ir.: Altivo Tavares de Souza Filho

Nesse período obscuro de fanatismo religioso que foi a Idade Média, fundou-se a Ordem Militar dos Templários, com a finalidade de defender os peregrinos cristãos que se dirigiam ao Santo Sepulcro em Jerusalém, na Palestina. Tratando-se de organização iniciática, com grande disciplina, sob a proteção direta do Papa, a Ordem obteve grandes sucessos militares e conseguiu acumular enorme riqueza material que despertou a cobiça do rei da França, Felipe o Belo e de seu próprio protetor.

Engendrou-se, então, um processo inquisitorial em que os dirigentes da Ordem dos Templários, acusados de bruxaria consistente na adoração de um ídolo caprípede do hermetismo iniciático, denominado Baphomet, foram condenados ao sacrifício na fogueira (entre eles estava Jacques De Molay, que empresta seu nome à nossa Loja hoje), enquanto que os bens da Ordem revertiam, obviamente, ao patrimônio do rei e do Papa.

Os preceitos inquisitoriais não conseguiram extirpar totalmente o aspecto positivo de que se revestia o símbolo do bode, que desempenha o papel de protetor - não se deve aborrecer nem bater nele, pois todo mal que chega é interceptado por esse animal, assim como o pára-raios atrai e canaliza o raio. Quanto mais barbudo e fedorento, mais eficaz ele é. Tem-se sempre um bode a substituí-lo quando ele morre, diz Chevalier.

Outra lenda muito difundida é aquela em que durante a Inquisição, os Maçons usavam o bode como expediente para anunciar o local, o dia e a hora das sessões. Um dos encarregados saía às ruas de Paris, conduzindo um caprino, oferecendo-o à venda por um preço muito alto, exorbitante às vezes, nunca o vendia, mas o Irmão sabendo do que se tratava, observava o vendedor e em sigilo, fingindo querer comprar o animal, o examinava do Oriente ao Ocidente, quando era informado sobre o local onde seriam realizados os trabalhos. Apesar da lenda não esclarecer a localização do Oriente e do Ocidente no bode, ela traz alguma luz acerca da origem do simbolismo paralelo desse animal na Maçonaria. (continua)

Publicado originalmente no Informativo De Molay n.º 3, edição de agosto de 2003.