quinta-feira, 31 de maio de 2007

MISTÉRIOS DO BODE - Parte 1

Colaboração: Ir.: Altivo Tavares de Souza Filho

Na antigüidade, o bode era um símbolo positivo de força vital e de fecundidade que gozava de enorme prestígio cultural. Assim é que na Índia era animal de sacrifício a Agni (deus do fogo). Pã era deus-bode dos egípcios e dos gregos. Entre os hebreus no Velho Testamento, em Levítico (16, 5-10) aparece a figura do bode expiatório. Diz o referido texto que, por ocasião das Festas de Expiação, o sacerdote deitava sorte sobre dois bodes previamente preparados. Conforme o resultado do sorteio, imolava-se um deles, enquanto que o outro, onerado com os pecados do povo, era posto em liberdade no deserto; daí então a origem da expressão bode expiatório, hoje difundida universalmente.

O aviltamento do animal atinge seu ponto mais baixo nos tempos medievais com a ascensão e predomínio da Igreja Cristã na Europa. Dessa forma, de símbolo positivo, diurno, solar, o bode transformou-se em símbolo nefasto, noturno, lunar, tradicionalmente associado ao diabo, como mostra o texto a seguir, extraído da Enciclopédia Brasileira, vol. 3, p. 447, Ed. Mérito, 1967:

“O bode desempenhou papel importante na demonologia da Idade Média, fato que pode explicar-se historicamente. Quando o cristianismo triunfou, os deuses da antiga religião foram considerados como demônios pelos cristãos. Os antigos deuses como Pã, os Sóteros e outros, eram representados na figura de um homem na parte superior do corpo e bode na inferior. Os cristãos julgavam que essas figuras eram representadas de seres nascidos de uma horrível promiscuidade, motivo porque tornavam o bode como expressão viva da luxúria e admitiam que a forma do mesmo era o que o diabo revestia mais habitualmente”. (continua)

Publicado originalmente no Informativo De Molay n.º 3, edição de agosto de 2003.