O primeiro nome divino é AHIH ou AHeleH, cuja pronúncia é parecida com ARRI, que quer dizer "SOU O QUE SOU" e serve para designar a essência do SER. Esse nome divino é normalmente substituído pela letra IOD, que deve ser pronunciada IUD, que é a décima letra do alfabeto hebraico e representa o número 10, formado pelo UM e pelo ZERO.
A letra IOD é representada graficamente por uma vírgula, à semelhança do espermatozóide, o gerador masculino, o lado positivo do SER. O zero colocado à direita do um o eleva à situação de dezena e pode ser interpretado como sendo Deus que é o PRINCÍPIO ÚNICO das coisas e que produziu o universo do NADA. Um e zero também são representados pela circunferência (zero) com um ponto no centro (um). O ponto central representa o G.:A.:D.:U.: e o círculo, o universo: DEUS E A SUA CRIAÇÃO.
Os cabalistas indicam simbolicamente os três atributos da divindade por três letras IOD dentro de um triângulo. Tais atributos são: ETERNIDADE (tempo), passado, presente e futuro; EXTENSÃO INFINITA (espaço), comprimento, largura e altura; e SUBSTÂNCIA (matéria), sólido, líquido e gasoso. Mais tarde essas três IOD perderam a cauda, isto é, se transformaram em três pontos e o triângulo também foi abandonado.
Desta forma, as três letras IOD dentro de um triângulo se transformaram em três pontinhos, que representam os três atributos divinos. Aí está uma explicação cabalística do uso dos três pontinhos após a assinatura, que significa que o nome formado por letras e pronunciado em forma de mantra traz em seu bojo um significado sagrado e o torna divino quando se usa os três pontinhos (atributos divinos).
Fica aqui uma indagação. Será que os três pontinhos que os maçons usam após sua assinatura são derivados mesmo da cabala hebraica? Ou foram os alumbrados espanhóis ou os iluministas franceses que os adotaram para proteger suas correspondências? Ou ainda, será que esse hábito não veio dos antigos egípcios?
Para mim não interessa a resposta, pois qualquer que seja a origem o que importa é o significado, uma vez que os três pontinhos colocados depois do nome, assinatura ou rubrica traz a essência daquele que os utiliza, demonstrando uma afeição às virtudes teologais: FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE, que o maçom se utiliza nas suas ações dando de si toda a INTELIGÊNCIA, toda a VONTADE e todo o AMOR para levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício.
Publicado originalmente no Jornal Esotera nº 8, edição de agosto de 1998.
