Quando o Grande Arquiteto criou os animais, dizem que ELE os reuniu em uma grande clareira e explicou-lhes suas funções.
- "Vocês vão servir ao homem, que é o ápice de minha criação!" - teria dito ELE.
- "O problema desse animal-homem é chegar a mim. Vou oferecer-lhe muitos caminhos. A beleza é um deles, talvez o principal. Assim criei a natureza e a vocês cabe ajudar a mantê-la e a realçar sua beleza. Por isso criei vocês, os pássaros. Uns são bonitos. Outros são feios mas seus cantos são maravilhosos. Cobras e lagartos cuidarão do equilíbrio ecológico, matando e devorando o excesso de roedores e insetos. O jacaré é feio e se arrasta, mas é grande a nobreza de sua missão: ele deve devorar piranhas, para impedir o seu excesso, e seus excrementos serão o melhor nutriente para os pequenos peixes que por sua vez alimentarão os grandes..."
A cada explicação os bichos saiam orgulhosos de suas tarefas e iam ao lugar que lhes eram destinados para cumpri-las. Jacarés ficaram orgulhosíssimos quando entenderam o porque de sua pele grossa e sua boca imensa. Tudo muito próprio para comer piranhas.
Só ficaram os pavões, mesmo após saberem de suas funções.
O Grande Arquiteto então perguntou:
- "O que há com vocês?"
Eles, pavões, responderam em sua linguagem floreada, própria dos pavões:
- "Como faremos para evitar que a beleza de nossa cauda ofusque a maravilha de nossa inteligência, ou, como impedir que, embas- bacados por nossa inteligência, os homens deixem de notar a nossa cauda? Mais do que isso! Por que seres maravilhosos como nós devem servir um animal tão estranho que precisa ver nossa beleza para entender a sua?"
O Grande Arquiteto, em SUA infinita sabedoria, compreendeu o problema e, ZAPT! - tirou a inteligência dos pavões! Agora sim, perdendo qualquer outro interesse que não seja sua beleza, ficaram felizes e até hoje comprazem-se em exibir aos homens e não-homens a lindeza de suas caudas abertas...
Aos homens o GADU não retirou a inteligência mas, misericordioso que é, permite àqueles que só têm a apresentar seus lindos paramentos relativos aos Graus conquistados, sem que nenhuma evolução significativa os acompanhe, que desliguem a autocrítica...
A ascensão ao Grau 33 tem duas vertentes: a do sábio e a do pavão. Escolham.
Colaboração do Ir.: Ney Ribeiro
